
Quem
chega a Congonhas, na região do Alto Paraopeba, se impressiona.
No alto de uma colina doze profetas vigiam atentos a cidade.
As pessoas circulam lá embaixo, no vai-e-vem de seus afazeres
diários, indiferentes aos olhares das estátuas.
Elas
estão ali, há muito tempo, desde o início do
séc. XIX, e testemunharam a
genialidade de um homem e o furor de uma época. Parecem reviver
um mito grego. As imagens dão a impressão de terem,
em algum tempo distante, mirado os olhos de Medusa. Minas é
terra de mistérios, de magia e segredos... Medusa, a deusa
grega com cabelos em forma de serpentes, para a qual quem olhava
se transformava em pedra, aqui adquiriu um outro nome: Antônio
Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
As
primeiras informações sobre a origem do povoado de
Congonhas datam de 1734. Já em 1700 alguns portugueses se
estabeleceram no Arraial dos Carijós (atual Conselheiro Lafaiete,
a 17 quilômetros), sendo que outros aventureiros continuaram
a busca por novas lavras auríferas. Às margens do
rio Maranhão foram se estabelecendo novos povoados.
Congonhas
se tornou um importante centro de mineração e dela
saíram grandes fortunas da época. As pepitas de ouro
chegavam a ter o tamanho de batatas, na famosa lavra chamada Batateiro.
Em 1796 a força do ouro trouxe ao então distrito de
Congonhas o mago das formas, o escultor Aleijadinho, já consagrado
naqueles tempos. Ali ele deixou para sempre a manifestação
mais concreta da grandiosidade de sua arte.
Os
tempos do ouro se foram, mas Congonhas é o testemunho vivo
de que aqueles dias de glória realmente existiram. É
possível sentir a espiritualidade das esculturas de Aleijadinho,
que de tão teatrais parecem estar prestes a adquirir vida.
Pode-se ver e tocar as suas formas, deslizar entre seus contornos,
vivenciando a fé e a saga dos homens que construíram
a história das Minas Gerais.
Pepitas
de ouro do tamanho de batatas, o maior e mais magnífico conjunto
de imagens barrocas do mundo e a festa do Jubileu, que chega a reunir
centenas de milhares de pessoas... Congonhas impressiona... A cidade
também adquiriu fama na década de 60, em virtude das
curas efetuadas pelo médium Zé Arigó, que incorporava
o espírito do médico alemão Fritz. Pessoas
de todos os lugares do Brasil e do mundo, desenganadas pela medicina
tradicional, convergiam para Congonhas em busca de cura. Até
cientistas americanos da Nasa estudaram o fenômeno.
O
nome Congonhas vem do tipo de
vegetação encontrada nos campos, uma planta que os
índios chamavam Congõi, que em tupi significa "o
que sustenta, o que alimenta." Nada mais sugestivo. Situada
num vale e rodeada por imponentes montanhas a cidade hoje alimenta
a alma dos que desejam reviver uma época dourada. O conjunto
arquitetônico e artístico da Basílica de Bom
Jesus dos Matosinhos foi reconhecido como Patrimônio Cultural
da Humanidade pela Unesco em 1985. A cidade foi também berço
da obra Marista no Brasil.
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